Crónica de uma crónica
“ Hoje, no fundo do pensamento ou do sonho, há sempre o dinheiro.” (Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre, p.339)
Eça de Queiroz com o seu tão característico espírito crítico e mordaz faz, na crónica número LXXV do livro “Uma campanha alegre” (da obra “As Farpas”), uma dura critica á frágil, doente e beata sociedade feminina portuguesa do séc. XIX.
Num misto de Ironia e causticidade que tanto caracterizam o seu humor, Eça descreve uma sociedade feminina impregnada de vícios resultantes de uma educação deficiente baseada na cartilha e na ociosidade. Nela figuram mulheres flácidas pouco dadas ao exercício físico, amareladas da escuridão das casas e dos bicos de gás, mulheres cuja vida social se resume aos romances de cordel, mexericos e curtos passeios pela Baixa Pombalina. Mulheres cuja comparação com as restantes cidadãs europeias, as diminuí à condição de anedota.
À luz dos factores naturalistas: hereditariedade, educação e meio, Eça tenta explicar a deterioração da sociedade portuguesa feminina do sec. XIX, que impede o desenvolvimento físico, moral e intelectual, e que as torna umas medíocres em tudo.
A educação voltada para a permanência em casa durante a infância, a super protecção materna e a cartilha contribuem grandemente para cultivar na mulher portuguesa uma alma doente num corpo igualmente doente. A “educação à portuguesa” aliada ao meio doentio e vicioso dos mexericos e mal dizer, fazem das crianças umas adolescentes débeis, incapazes de resistir a pressões vindas do exterior, vitimas de uma sociedade fútil e desinteressante.
O culminar de todos esses factores gera futilidade e apego aos bens materiais, que remetem para um casamento rico em vez de trabalho e independência. O dinheiro passa a ser assim o cerne da vida das mulheres portuguesas, tudo gira à volta desse bem tão precioso, que permite ter bons vestidos, bons sapatos, chapéus diversos, um lugar no D. Carlos, em suma, todo um show off, que pretende passar uma imagem de felicidade, sucesso e abundância.
A mulher passa assim a ter dupla personalidade, uma personalidade financeira e interesseira, e uma personalidade sentimentalista e romântica, o que por sua vez, resulta em casamentos por conveniência e numa panóplia de amantes e amores escondidos, que dão um toque de adrenalina e emoção ás suas enfadonhas e exibicionistas vidas em sociedade.
Num texto apelativo marcado pelas metáforas, função poética, humor e adjectivação, Eça tem como principal finalidade consciencializar a mulher portuguesa de todos os seus vícios, apelando vivamente a uma mudança de modo a aproximá-la do ideal europeu, que não é mais que uma modernização e sofisticação da mulher portuguesa.
Filipa Xavier
Ps: temas, temas I need temas!! Fabi conto ctg!! bj

2 Comments:
"Eça descreve uma sociedade feminina impregnada de vícios resultantes de uma educação deficiente baseada na cartilha e na ociosidade. Nela figuram mulheres flácidas pouco dadas ao exercício físico, amareladas da escuridão das casas e dos bicos de gás, mulheres cuja vida social se resume aos romances de cordel, mexericos e curtos passeios pela Baixa Pombalina." ----- GRAÇAS A DEUS QUE OS TEMPOS SÃO OUTROS!! bem sei que ainda existem reminiscencias desse tipo de mulher. No entanto são cada vez mais raras! bom texto, beijinho
Hum... Temas? Vamos lá ver isso.
Poligamia (gosto muito deste tema e já escrevi sobre ele no meu blog)
Eutanásia
10 coisas que detesto/10 coisas que adoro
Discriminações
Tentações
Politicamente correcto
As novas elites (ou que se lhes quiser chamar)
O livro/disco da minha vida
...
Se quiseres mais avisa ;)
Beijinhos
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